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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Brasil pode viver 'fenômeno Trump' em 2018, dizem especialistas

O ano passado foi intenso no Brasil, principalmente no que diz respeito ao cenário político. 

A então presidente Dilma Roussef foi cassada, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha perdeu o posto e foi preso, a Operação Lava Jato avançou, e as manifestações populares, iniciadas em 2013, mexeram com a agenda política. O país vive um cenário de “incerteza” em que não se sabe nem se o presidente empossado, Michel Temer, terminará o mandato, comentou o historiador e consultor em marketing político Darlan Campos. 

Segundo o professor de relações internacionais e cientista político Thales Castro, a expectativa para 2018 é por eleições “muito peculiares” na história da política brasileira.

“Podemos ter um fenômeno próximo ao que foi o Trump. No Brasil, não temos um grande magnata como o norte-americano que tenha anunciado carreira política, mas podemos esperar muita novidade, como um ‘outsider’, alguém que não está na carreira política”, afirmou Castro. 

O candidato pode ou não ser famoso, embora celebridades tenham grande apelo popular. Para o cientista político Antonio Roberto Vigne, exemplos de “figuras da versão brasileira de Trump” seriam Roberto Justus e Sílvio Santos. “O povo está cansado dos atuais rostos”, disse Vigne.

O interesse do público em candidatos pertencentes a outros universos é uma tendência global. “Há uma profunda rejeição aos partidos, aos políticos e à política de modo geral. Será difícil encontrar um candidato que empolgue o povo no Brasil”, analisou o professor da Universidade de Brasília (UNB) Hélio Doyle. 

Nas eleições de 2016, esse fenômeno já se mostrou presente: São Paulo e Belo Horizonte são exemplos de grandes cidades que tiveram prefeitos eleitos com uma campanha antipolítica. João Dória (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS) são empresários e se apresentaram como “gestores” na corrida eleitoral, explicou Doyle.

Trump brasileiro

As eleições de 2018, de acordo com os especialistas entrevistados, serão de “mudança” e “protesto”, como aconteceu nos EUA, e é por isso que nomes conhecidos devem ficar em desvantagem. 

No caso do país norte-americano, a rival de Trump, a democrata Hillary Clinton, representou o “mais do mesmo”: “era ex-primeira dama, ex-senadora, ex-chefe de Estado”, enumerou Campos. O magnata se apresentou como o anti-herói, teve discurso envolvente, soube atingir as pessoas vulneráveis e explorar as fragilidades de Hillary, avaliou Castro.

As condições econômicas do Brasil aumentam as chances de uma figura inesperada tomar a frente do país. Na opinião do pesquisador em política externa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Maurício Santoro Rocha, o processo seria ainda mais simples do que foi nos EUA. “Temos hoje cerca de 35 partidos, um Trump brasileiro não precisaria conquistar um grande partido, poderia ir para um pequeno e ser eleito”, disse Rocha. 

“A classe política tradicional brasileira vive o momento de maior descrédito desde a redemocratização”, acrescentou.

A candidatura de Justus, que já anunciou a possibilidade de tentar a presidência em 2018, seria “curiosa”, segundo Rocha, já que assim como Trump, o empresário foi apresentador do programa reality show O Aprendiz. As consequências que a eleição de um candidato antipolítico pode trazer ao país é uma incógnita. “O risco é esperarmos por um salvador da pátria. Um outsider pode vir para o bem ou para o mal”, concluiu Doyle.

Por Thaís Sabino.

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