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sexta-feira, 13 de maio de 2016

OLIGARQUIA COELHO: uma história de oportunismo, patrimonialismo e apoio a golpes de Estado

Ao observar a participação dos Coelhos na história política do país, conclui-se que a Arena apoiou o golpe militar, que mais tarde se denominou PSD, depois PFL, e atualmente Democratas (DEM), que apoia o golpe contra o governo da presidenta Dilma, junto ao qual estão: PMDB, PPS e PSB, todos partidos ligados à trajetória do clã petrolinense.
O presidente, general Artur da Costa e Silva, a esquerda, e o governador Nilo Coelho a direita, inaugurando a nova BR-122
Por Gilmar Santos*
O processo de Impeachment contra a presidenta Dilma é oportunidade para petrolinenses e pernambucanos voltarem ao passado e identificarem como políticos de famílias tradicionais se comportaram em situações de flagrante ataque à democracia brasileira. A família Coelho, de Petrolina, cumpriu importante papel nesse sentido.
Nos anos da Ditadura Militar (1964-1985) a Oligarquia estava acomodada na Aliança Renovadora Nacional – Arena, partido de apoio aos governos autoritários, onde adquiriu grandes benefícios políticos e econômicos, garantindo a extensão do seu poderio ao território pernambucano através da indicação do então deputado Nilo de Souza Coelho ao governo estadual.
Nascido em 1920, Nilo foi um dos mais vigorosos políticos do clã. Em 1947 iniciou sua carreira política como deputado estadual. Durante o último governo Vargas, em 1951, foi eleito deputado federal. No ano em que ocorreu o golpe contra o governo do presidente João Goulart, 1964, Nilo era o 1º secretário da Câmara e cumpriu importante papel de apoio ao Presidente da República, general Castelo Branco, de quem recebeu, em 1967, a indicação para se tornar governador do estado pernambucano. Ainda durante a Ditadura, em 1979, Nilo foi beneficiado com os votos do senador arenista, Cid Sampaio, e garantiu ingresso ao senado, chegando ao cargo de presidente daquela casa legislativa.

Nesse período a família Coelho conseguiu capitanear vultosos recursos para o município e o Estado. Segundo Ruyter Antônio Bezerra dos Santos, em pesquisa de mestrado, pela Universidade Federal FRN, intitulada “Nas Sombras da Família Coelho: a dinâmica de uma dominação política”, esses recursos serviram mais para a manutenção do grupo familiar que para o beneficiamento da população.
Com o fim do bipartidarismo a Arena passou a se chamar Partido Democrático e Social (PDS). Em 1983 o senador faleceu na cidade de São Paulo, deixando um legado político para as próximas gerações do clã. Em locais públicos, prédios e instituições de importância para o município e o Estado, o nome do político está impresso em quase duas dezenas desses espaços.
Da geração seguinte, Fernando Bezerra Coelho (FBC), sobrinho de Nilo, é um dos políticos que tirou grande proveito do tradicional domínio do grupo familiar. Nascido em 1957, Bezerra iniciou sua carreira política em Pernambuco, quando foi eleito, em 1982, deputado estadual pelo PDS. Quando a sigla mudou para Partido da Frente Liberal (PFL), lá estava o deputado Bezerra Coelho. Em 1986, já no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) foi eleito deputado constituinte e reeleito em 1990, quando renunciou para se tornar prefeito do município de Petrolina (1992-1996). No ano 2000, no Partido Socialista Popular (PPS), FBC iria governar a sua terra natal pela segunda vez; foi reeleito em 2004 mas renunciou o mandato para assumir o cargo de Secretário de Planejamento no governo de Eduardo Campos. Na ocasião, Fernando Coelho filia-se ao Partido Socialista do Brasil (PSB), um dos principais partidos de apoio aos governos Lula e primeiro governo Dilma. Essa relação garantiu a FBC o cargo de Ministro da Integração Nacional entre 2011 e 2013.
Atualmente, Senador pelo PSB e, juntamente com Fernando Bezerra Coelho Filho, deputado federal, tornaram-se importantes lideranças nacionais da legenda, principalmente, após a morte do governador Eduardo Campos, em 2014. Com a nova articulação política, de rompimento com o governo Dilma, os Coelhos tornam-se articuladores e apoiadores do processo de Impeachment contra a presidente, considerado por movimentos sociais, juristas e pela imprensa internacional um golpe de Estado, já que não apresenta crime de responsabilidade cometido pela chefe do executivo nacional e reúne quantidade significativa de vícios, contradições jurídicas, morais e políticas, a começar pelas votações, tanto na Câmara quanto no Senado, conduzidas e operadas por políticos comprovadamente envolvidos com crimes de corrupção, como é o caso do deputado Eduardo Cunha.
Miguel Coelho, Fernando Bezerra Coelho Filho e Fernando Bezerra Coelho
Em dezembro de 2015, o ministro do Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou investigação do senador FBC por suspeita de envolvimento num esquema que desviou milhões da Petrobrás, investigado pela operação Lava Jato.
Ao observar a participação dos Coelhos na história política do país, conclui-se que a Arena apoiou o golpe militar, que mais tarde se denominou PSD, depois PFL, e atualmente Democratas (DEM), que apoia o golpe contra o governo da presidenta Dilma, junto ao qual estão: PMDB, PPS e PSB, todos partidos ligados à trajetória do clã petrolinense. Para não deixar a capitania hereditária sem renovação no município, o filho de FBC, Miguel Coelho, deputado estadual, se apresenta como grande opção para as eleições municipais em 2016. No município um grupo significativo de vereadores quando se apresentam na imprensa local utilizam a expressão, de viés coronelista, “sou do grupo de Fernando”.
Quando puderam usufruir de importantes cargos dos governos Lula e Dilma, eles comemoraram. No dia em que a presidenta Dilma foi afastada do cargo, por um processo de Impeachment envolto de suspeitas, vícios e desconfianças, eles também comemoram, numa íntima relação entre oportunismo, traição e golpismo. Nos veículos de comunicação bradavam contra o governo da presidenta Dilma, acusando-o de corrupção e de aprofundar a crise do país. Agora, de mãos dadas com o novo governo, parecem esquecer ou não levar em consideração o fato de o presidente em exercício, Michel Temer, e diversos dos seus ministros serem investigados ou citados em operações da Polícia Federal por crimes de corrupção, e não se importar com as medidas que haverão de devastar direitos sociais e sacrificar ainda mais as classes trabalhadoras. Na próxima eleição eles voltam, por bairros e povoados pobres de Petrolina, na caça ao voto.
Cargos/Mandatos dos Coelho
Primeira geração
Coronel Quelê (Clementino Souza Coelho) – o patriarca, foi subprefeito de Petrolina. Era casado com Josepha Coelho, com quem teve 12 filhos.
Segunda geração
Dos onze filhos, cinco se envolveram com política:
Nilo – deputado estadual e federal, senador e governador de Pernambuco. Morreu em 1983, após sofrer um infarto enquanto discursava no Senado.
Gercino – foi prefeito de Guanambi (BA) e deputado estadual pela Bahia. Morreu em campanha em 1950.
Osvaldo – soma 44 anos de atuação no Legislativo: três mandatos na Assembleia de Pernambuco e oito na Câmara dos Deputados. Morreu em 2015.
José – foi deputado, prefeito de Petrolina e senador. Morreu em 2007.
Geraldo – ex-deputado estadual e ex-prefeito de Petrolina. Tem 90 anos.
Terceira geração
Fernando – ex-deputado federal, ex-prefeito de Petrolina (por três vezes), ex-ministro da Integração Nacional e senador eleito em 2014. É filho de Paulo Coelho.
Clementino – foi deputado federal e presidiu a Codevasf. É irmão de Fernando.
Guilherme – filho de Osvaldo, é ex-prefeito de Petrolina. Atual vice-prefeito, disputou vaga na Câmara em 2014, mas foi derrotado.
Ciro – foi secretário estadual de Recursos Hídricos e deputado estadual. É filho de José.
Nilo Moraes Coelho – filho de Gercino, é ex-governador da Bahia e ex-prefeito de Guanambi. Em 2010, candidatou-se a vice-governador na chapa de Paulo Souto (DEM), mas foi derrotado.
Quarta geração
Fernando Filho – deputado federal reeleito em 2014 para o terceiro mandato. Concorreu à Prefeitura de Petrolina em 2012. Foi derrotado. É filho de Fernando Bezerra Coelho.
Miguel – deputado estadual eleito para o primeiro mandato em 2014. É também filho de Fernando.

*Gilmar Santos é professor de História.


Por: Ponto Critico
http://pontocritico.org/

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