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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Milícia anti-indígena sequestra e tortura jovem Kaiowá em Naviraí (MS)




Segundo denúncia realizada junto ao Ministério Público Federal (MPF), na manhã do último dia 7, um jovem Kaiowá de 17 anos foi sequestrado por um grupo armado, nas imediações de Naviraí (MS), e submetido a sessões de tortura – espancamentos e pressão psicológica. O indígena vive em acampamentos que compõem a Terra Indígena Santiago Kue, localizados às margens da BR-163, trecho que liga as cidades de Juti e Naviraí.   
Tal contexto reforça a existência de milícias armadas com intuito de atacar comunidades indígenas e suas lideranças. Não é a primeira vez que tais indícios reforçam algo que já não é mais uma tese, mas possui elementos concretos.
O  histórico de violência contra as aldeias do entorno de Naviraí evidencia que o atentado não foi por acaso, e nem se tratou de uma ação isolada. Pelo contrário, é infelizmente uma ação padrão de jagunços contratados pelos fazendeiros da região. Tudo indica que existe de fato um grupo que há tempos está constituído como uma milícia armada e que tem rondado a região para impedir o avanço dos indígenas na retomada de seu território tradicional.

Em meados de 2013, começou a circular de forma aberta e pública a informação sobre a realização dos “Leilões da Resistência”, organizado por fazendeiros e sindicatos rurais do Estado do Mato Grosso do Sul. Os organizadores anunciavam orgulhosos que os fundos arrecadados com a venda de gado seriam utilizados para a contratação de segurança privada e compra de armamentos. A Justiça entendeu o leilão como uma forma de injetar recursos em formação de milícia.
A revoltante iniciativa gerou uma onda de denúncias e de grande mobilização por parte do movimento indígena e de seus apoiadores. Por decisão judicial, a realização do leilão foi impedida. A despeito da decisão, os fazendeiros o realizaram. Todavia, a decisão foi a de que o montante arrecadado, cerca de 1 milhão de reais, fosse depositado em juízo e com a utilização vinculada a aprovação das comunidades indígenas.  
Pode-se dizer que esta fundamental medida conseguiu brecar a face pública da formação das milícias anti-indígenas, porém trata-se de um ledo engano acreditar que a Justiça conseguiu impedir que na prática, no submundo das ações criminosas, os fazendeiros e ruralistas, dotados de grandes poder econômico, oriundos, sobretudo, da exploração ilegal das terras indígenas, continuem com a arregimentação de jagunços para consolidar a expulsão dos povos originários dos seus territórios tradicionais por meio da força. Chamam a isso de segurança privada.    
O caso ocorrido em Santiago Kue é uma boa demonstração de que as milícias continuam sendo formadas e patrocinadas pelos senhores do agronegócio. Conforme apuração da Procuradoria Geral da República (PGR) de Ponta Porã, o assassinato de Nísio Gomes Guarani Kaiowá se deu sob tais circunstâncias. Sob a roupagem de seguranças privados, os fazendeiros continuam organizados. Soma-se a isso a política do governo federal de paralisação das terras indígenas e a intenção da mudança do procedimento de demarcação. Dessa forma, sentem-se os inimigos dos povos indígenas livres para praticar verdadeiros absurdos contra a vida, o bom senso, a Justiça, a democracia e o Estado Democrático de Direito.
Como tudo indica, nas bordas de Naviraí, uma destas milícias armadas domina geograficamente a região habitada secularmente pelo povo Kaiowá, e de onde estes jamais sairão. Praticam abertamente o terror impedindo os indígenas até mesmo de exercerem o direito de ir e vir.

Veja mais em : CPT- Comissão Pastoral da Terra
Adaptado por: Cicero Do Carmo  

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Reunião do Eurogrupo termina com ultimato à Grécia

Atenas rejeita proposta de prolongar programa de resgate por seis meses, chamando-a de "absurda". Ministros da zona do euro estabelecem sexta-feira como prazo para governo grego pedir uma extensão.




Sem entendimento, reunião em Bruxelas acabou bem antes do previsto. Agora, o ministro de Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse que pretende encontrar uma solução dentro de 48 horas


A reunião dos ministros das Finanças da zona do euro desta segunda-feira 16, em Bruxelas, terminou mais cedo do que o previsto, após a Grécia rejeitar uma proposta apresentada pelo Eurogrupo. Atenas se recusou a aceitar uma extensão de seis meses do programa de resgate internacional e a manutenção dos termos do acordo com os credores, provocando confusão nas negociações sobre a dívida do país.
Os ministros das Finanças deram à Grécia um ultimato para pedir uma extensão do programa de resgate, que expira no fim deste mês. O governo grego tem até esta sexta-feira para fazer o pedido, disse o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.
Uma fonte de Atenas chamou a proposta do Eurogrupo de "absurda" e "inaceitável". Do outro lado, vários líderes europeus se disseram desapontados. Esperava-se que a reunião em Bruxelas se estendesse até a noite, mas ela chegou ao fim após quatro horas.
O novo governo grego, empossado em janeiro, prometeu acabar com o programa de resgate de 240 milhões de euros, reverter políticas de austeridade e encerrar a cooperação com inspetores da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entretanto, a UE exige que antes que se chegue a um acordo sobre um relaxamento das medidas de austeridade, Atenas aceite uma extensão do programa atual e de seus termos rígidos por ao menos alguns meses.
Após o fim da reunião, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse que Atenas pretende encontrar uma solução dentro de 48 horas. A Grécia está disposta a "fazer o que for preciso para chegar a um acordo nos próximos dois dias".
Programa "flexível"
Dijsselbloem disse ver pouca diferença entre o pedido do governo grego por um empréstimo-ponte até junho e a proposta dos ministros europeus de que o programa atual seja estendido. Ele insiste que há "flexibilidade" no programa atual.
O presidente do Eurogrupo afirmou que, caso Atenas apresente o pedido de extensão, os ministros da zona do euro devem se reunir novamente nesta sexta-feira para discutir maneiras de relaxar alguns de seus termos.
Antes do início da reunião em Bruxelas, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse estar cético quanto às negociações e que ninguém pretendia dar mais dinheiro à Atenas sem garantias.
Caso não chegue a um acordo com a UE, aumentam os temores de que a Grécia enfrente uma contração do crédito, o que poderia forçá-la a sair da zona do euro. Até agora, o Banco Central Europeu (BCE), permitiu que o banco central grego concedesse financiamentos de emergência aos bancos do país, mas controles de capital poderiam ser impostos se as negociações com o Eurogrupo fracassarem. O BCE reavaliará sua política nesta quarta-feira.
O FMI também afirmou que não desembolsará mais fundos à Grécia se Atenas não avançar nas reformas previstas.
Fonte: Carta Capital


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